Reviver a Realidade

 Como tenho a liberdade de escrever sobre literalmente qualquer assunto neste projeto, vou hoje contar o sonho que tive na passada noite de 4a-feria:

Acordo deitado na cama de casa da minha mãe com o toque de uma chamada. Com algum esforço, retiro a venda que tapava a minha visão e atendo. Era uma camarada a contactar-me para remarcar uma distribuição de documentos que iria acontecer dentro de dois dias. Tento responder que não tenho problema nenhum no reagendamento, mas tudo o que tento falar soa como sons inarticulados, sinto que ela também não entendeu, mas pelo que percebi, ficou desmarcado para esse dia. Consulto as horas no telemóvel que tenho na minha mão, já se passa das três da tarde. Tinha um compromisso para estar na minha faculdade a trabalhar para uma entrega de grupo e iria ter uma conversa com os professores às duas da tarde...Já estava atrasado. Abri o WhatsApp com o objetivo de enviar mensagem ao meu grupo e a desculpar-me por ter adormecido para além do despertador, que estava marcado para as 7h30 da manhã. Talvez porque acordei duas horas antes do toque e como tive muita dificuldade a adormecer de novo, o meu corpo deve ter apenas ignorado o som todos os dias me acorda. Antes de enviar uma mensagem, noto que a minha colega já tinha enviado algo que dizia: "Apenas integração automóvel no projeto lol", ao que eu assumi que já tinham conversado com o professor e que tinham recebido comentários inúteis e simples, pelo tom da conversa. Não chego a escrever a mensagem.

Mas acordo de novo na mesma cama e retiro a venda. Ouço a voz da minha mãe localizada na sala de estar, assim como outras duas vozes, uma delas masculina. Assumi que fosse alguém a instalar uma box de televisão a cabo, já que a casa tinha alterado de fornecedor há poucas semanas e poderia ter havido problemas com a nova. Distraio-me assim que o meu sobrinho entra no meu quarto e está visualmente aborrecido. A minha mãe vem atrás para tentar acalmá-lo mas ele vai ter comigo ainda triste. Tento perguntar o que se passa e tento animá-lo com uma espécie de cócegas, que resulta de alguma forma. Agora estou a brincar com ele e já não me parece triste, mas agora estamos no carro antigo da minha mãe. Volto a olhar para o meu sobrinho e ele está coberto de manchas vermelhas na sua pele. Questiono à figura maior qual é o problema e ela responde que foi uma infeção passada da cadela para a criança, mas que ele já estava a recuperar. Pergunto à minha mãe se essa doença, cujo nome de momento não me recordo, era infecciosa e se me poderia afetar. Ela olha para mim, mas eu não obtenho resposta de volta. Preocupa-me que seja infecciosa.

Ainda assim acordo na mesma cama, a achar que me tinha atrasado para o compromisso do trabalho de grupo e que tudo o que aconteceu anteriormente tinha sido um sonho. Desta vez, quando faço o gesto para retirar a venda, os meus olhos permanecem tapados. Tento segurar no meu telemóvel, tendo plena noção que se encontrava na mesa de cabeceira de metal. Seguro nele, mas não resulta em nada porque ainda não consigo levantar a venda. Levanto-me então sozinho e cego, e ando lentamente. Pareço estar num corredor amplo, com as mesma proporções de uma circulação de supermercado. No fundo ouço duas vozes muito reconhecíveis, de dois amigos meus. Dou passos de bebé em direção à conversa, mesmo que não seja na minha direção. Continuo a tentar retirar a venda, para perceber o que está a acontecer, mas continuo a ver tudo escuro. Começo a entrar em pânico. Já é a terceira vez que acordo na cama e em cada uma delas aconteceu algo diferente. Assumi que talvez seja esse o destino da minha pós-vida e que descobri o que acontece. Apenas se revive várias situações imaginárias diferentes, sendo que todas têm o mesmo ponto de origem. Terei eu mesmo falecido durante o sono naquela cama? O que é que as pessoas mais próximas de mim dirão e farão...eu não estava pronto para morrer. Começo a sentir o meu braço dormente.

Acordo de novo na cama, com o braço por cima da cabeça. Se calhar a minha teoria esteja correta e só há uma forma de testar. Com esforço, mexo o meu braço para baixo e retiro a venda, desta vez com sucesso. Sinto-me aliviado por ter conseguido alcançar pelo menos esse passo, mas a minha mente pode estar a continuar a pregar partidas. Pego no meu telemóvel que esteve sempre no mesmo sítio das últimas 4 vezes que acordei. Consulto as horas e faltam menos de dez minutos para o despertador tocar. Isto confirma que afinal não tinha passado o meu tempo. Tento recuperar-me, fico uns segundos a olhar para o teto branco, feliz. Estou com calor, deve ser pelo robe que coloquei a cobrir parte do edredão. Tudo o que sinto é real.

-TeT

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